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Grandioso!
Esta foi minha primeira impressão ao chegar na Praça de São
Sebastião. Estava diante de uma obra monumental criada para abrigar
o melhor da arte de uma época de ouro e borracha.
O
Teatro Amazonas surgiu, no papel, em 1881, quando foi assinada a lei número
546, de 14 de junho daquele ano, ordenando sua construção. No
final de 1884, foram iniciadas as obras de alicerce do teatro.
Por conta de desentendimentos em relação aos contratos de construção,
a obra ficou paralisada e somente em 31 de dezembro de 1896, o Teatro Amazonas
foi inaugurado. Uma semana depois, a grande companhia italiana dirigida pelo
Maestro Joaquim Franco inaugurava, com “Gioconda“, de Ponchieli,
a primeira estação lírica do recém “nascido”
Teatro Amazonas.
Arquitetura
Uma obra monumental, rica
em detalhes.
O tempo perdido durante os anos em que a obra ficou abandonada foi recompensado
pela beleza da construção. Toda sua estrutura é majestosa
e impressionante. As formas curvilíneas e vazadas identificam a tendência
da arquitetura da época. Arcos, pilares, pilastras com capitéis
e estátuas complementam a proeza arquitetônica desta obra, projetada
pelo gabinete de arquitetura civil de Lisboa.


Quase
todos os materiais utilizados em sua construção vieram da Europa.
O ferro foi trazido da Inglaterra; o bronze, da Bélgica; o cristal,
de Murano. O único material brasileiro utilizado foi a madeira de lei
que era enviada para a Europa e voltava já trabalhada para o Brasil
na forma de móveis e piso. O calçamento que cobre as áreas
externas do teatro, inclusive escadas, é conhecido como pedra de Liós
de Lisboa e foi importado de Portugal. Com a abundância da borracha
na época, todo o calçamento externo que dá acesso ao
teatro foi revestido com espessas mantas de borracha para evitar o incômodo
barulho das carruagens que chegavam com autoridades e convidados. A cobertura
foi feita com telhas fabricadas sob encomenda, originárias da Alsácia.
São mais de 60.000 peças vitrificadas, com as cores da Bandeira
Nacional. Seu brilho colorido pode ser visto de vários pontos da cidade.



Com
capacidade para 700 pessoas, a riqueza de detalhes que se vê dentro
do teatro é um espetáculo. Candelabros, lustres de bronze e
painéis de Domenico de Angelis, criados entre 1897 e 1899, lustres
venezianos, colunas e portais em mármore, artisticamente dispostos
nos diversos salões, garantindo ao Teatro Amazonas sua definição
de beleza e luxo.
Entre os detalhes que mais chamam a atenção está o pano
de boca, que sobe inteiro até a cúpula, sem ser amassado ou
dobrado, já que sustenta a obra assinada por Crispim do Amaral, que
retrata o encontro das águas dos rios Negro e Solimões. Também
impressiona a base dos quatro pilares do salão principal, que vistos
de baixo representam a base da torre Eiffel, e o piso do Salão Nobre,
montado com doze mil peças de madeira nobre, somente encaixadas. O
teto do salão nobre, representando uma glorificação às
artes, arquitetura, escultura, poesia, música, dança e pintura,
não passa despercebido.


De
1897 a 1912, companhias importantes subiram ao palco do Teatro Amazonas, como
as de Rafael Tomba, Giovanni Emanuel-grande trágico italiano, notável
intérprete das criações mais soberbas de Skakespeare-,
Thomaz del Negro, Calil & Arrea, além de muitos outros artistas
da época. A partir de 1913, com a crise que avassalou o Amazonas por
vinte anos, o Teatro Amazonas raras vezes abriu suas portas. Eventualmente
lá aconteciam festas cívicas, conferências literárias
ou políticas, raros espetáculos de amadores e entrega de diplomas
escolares. De todo o glamour das grandes companhias que se apresentaram por
dezesseis anos, só restou a saudade.


Feita
pelo artista italiano Domenico de Angelis em 1889, a pintura do teto do
Salão Nobre do Teatro Amazonas representa a Glorificação
das Belas Artes no Amazonas, a Dança, a Pintura, a Música
e o Teatro. Foi utilizada uma técnica de pintura que dá a
quem olha a sensação de que a personagem principal da pintura
está sempre olhando para ele, não importando a posição
que esteja no salão.
Foto:
William Silveira
Foto:
William Silveira
Foto:
Elton Cecconi
Foto:
Elton Cecconi
Foto:
Elton Cecconi
Foto:
Elton Cecconi
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Texto:
William Silveira- Fotos: William Silveira / Elton Cecconi |
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