“SAWATDEE”
“Bem vindo!”...esta é a saudação mais ouvida
na Tailândia, acompanhada do gesto típico de levar as mãos
juntas, do peito à cabeça e para fora. Dizer que o tailandês
é gentil e receptivo é muito pouco dessa gente calorosa, devotada
ao Buda e adoradora (e como!) do Rei Rama IX (um simpático governante,
nascido na década de 20).
Por falar no Rei Rama IX, ele guarda uma característica muito típica
de boa parte do povo...não aparenta a idade que tem! De jeito algum!
Sei lá se é a água, a dedicação ao Buda,
o trânsito louco de Bangkok ou a comida maravilhosa e, em alguns casos,
muito - e ponha muito nisso - apimentada. Cuidado com ela no começo!
Você pode passar muito tempo lá e não se cansar; tem de
tudo para ver: história, cultura, meditação, danças,
praias lindas, campos selvagens, paisagens exóticas, templos e estátuas
de Budas, de todos os tipos, cada um mais lindo e interessante que o outro
e todos com sua própria história.
A Tailândia é uma das poucas nações modernas que
nunca foi colonizada; o primeiro verdadeiro reinado da moderna Tailândia
foi o de Sukhotai, na primeira metade do séc.XIII. Foi uma época
de ouro, em que se desenvolveu toda a base da cultura moderna, a escrita tailandesa
e o culto ao Budismo Therava.

Durante
o reinado do Rei Ramkamhaeng (Rama, o Bravo), houve expansão, desenvolvimento
e fortuna, deixando sempre um rastro de inveja e mistério em torno
do país, mais tarde conhecido como Reino do Sião.
Bangkok, a capital moderna, à beira do rio Chao Phraya, foi fundada
em 1782 e seu primeiro grande edifício oficial, construído por
ordem do rei Ramathibodi (Rama I), foi o Templo do Buda de Esmeraldas (Wat
Phra Kaew), depois circundado por amplos e lindos jardins e edifícios,
formando o complexo do Grande Palácio, mantendo o estilo da antiga
capital, Ayutlhaya.
Um
giro por Bangkok
Vou falar só de Bangkok, mas vale a pena conhecer outros lugares na
Tailândia - James Bond gostou tanto do lugar, que fez dois filmes naquelas
paragens.
Bangkok é frenética e guarda um contraste equilibrado entre
o antigo e o moderno; você pode atravessar toda a cidade por cima através
de um complexo de viadutos, como se fosse uma “highway” com vista
para templos e edifícios antigos!
Eu não me arrisquei a dirigir por lá...o trânsito é
muito louco, quase caótico. Para se locomover pela cidade, aconselho
as vans ou os táxis, que são relativamente baratos. Dica: pechinche
muito em tudo! Os taxistas costumam falar um pouco de inglês, desde
que você se esforce para entender o que eles estão dizendo; já
a população, em geral, não conhece outro idioma a não
ser o tailandês, portanto não saia do hotel sem um bom mapa ou
a companhia de um guia.

Você
pode ainda dar uma volta nos “tuc-tuc”, uma espécie de moto
acoplada a uma carretinha, muito comum tanto lá, como na Índia.
São muito baratas e diferentes.
De
posse do seu mapa, dinheiro local (é melhor do que ficar carregando dólares),
sua câmera e sapatos confortáveis ... pé na estrada. Por
onde começar? Esse é o problema em Bangkok, pois são tantos
os lugares a serem visitados, que fica difícil optar; não se preocupe,
por onde quer que você comece, será uma boa escolha.
Eu comecei pelo San Pha Phrom, ao lado do Erawan Hotel, num final de tarde;
é uma linda “casa de espíritos”, típica na
Tailândia, ao ar livre, onde sempre há apresentações
de dançarinas e orquestras típicas. O local foi construído
para abrigar os espíritos que ajudariam a prosperar o negócio
do próprio hotel. Está sempre cheio de devotos, que acendem incensos,
levam votos, pedidos e rezam. Você pode permanecer o tempo que quiser;
é uma experiência estranha, você ali num templo que convida
à meditação, bem ao lado de um moderno hotel, na beira
da rua (pra lá de movimentada), próximo a um pequeno shopping
e embaixo de um viaduto (tipo “Minhocão”); isto é
Bangkok! Acostume-se.
Saindo
de lá, entre em um dos vários “shoppings” nos arredores
e experimente a comida local. Vá devagar, lembre-se do tempero forte,
normalmente à base de pimentas, raiz forte e limão. Se o tempero
fizer sua língua e lábios começarem a inchar e a garganta
queimar, não beba água, coma um pãozinho ou biscoito
(dica de um local); a água, em certos casos, só prolongava o
ardor.


Outro
famoso ponto de visitação é o Grand Palace (Wat Phra Kaew),
um complexo de construções, incluindo templos, casas oficiais
e jardins, onde se pode passar tranqüilamente umas quatro horas; observe
o horário de funcionamento. No Grand Palace, recomendo usar os serviços
de um guia, para não perder a riqueza das informações da
cultura local, mesmo porque tudo na Tailândia tem um significado, como
as variadas vestimentas e poses de cada Buda. Do outro lado da rua, tem mais
templo e jardins para visitar, como o Sanam Luang, usado para eventos e cerimônias
especiais e, bem próximo, o Wat Pho, o maior templo de Bangkok. Neste
último você vai encontrar a gigantesca estátua do Buda reclinado,
toda recoberta de ouro; ela deve ter uns 30 a 40 metros de comprimento e uns
5 de altura; incrível mesmo! O lugar é chamado de “primeira
universidade da Tailândia” por abrigar em seus murais pinturas,
escritas e estátuas sobre assuntos da história e cultura locais.
Aliás, preste atenção nos desenhos das muralhas, que contam
a estória do seqüestro de uma princesa e a luta por sua recuperação;
algo como a briga entre umas figuras parecidas com macacos, vestidas de azul
e outras de amarelo .


Em
qualquer lugar que você visite, cuidado com sua vestimenta e seu comportamento,
já que os templos são pra lá de sagrados! Acostume-se
com a idéia de deixar os sapatos do lado de fora do templo; parece
que não tem problema, pelo menos eu não perdi nenhum. Tem mais,
quando se sentar diante de qualquer figura de Buda, no chão, não
aponte os pés para ele, é ofensivo, apóie-os no chão
ou cruze as pernas.Visite ainda o Wat Suthat, que abriga a mais antiga e maior
estátua de bronze fundido de Bangkok (o Buda Pha Sesakayannueni). Tem
ainda o Wat Arun, que pode ser visto de longe; um imenso “pagoda”
(Phra Phang), todo coberto com ladrilhos e tijolos multicoloridos. Para chegar
lá, o jeito mais interessante é usar um dos “jato-barcos”.

Você
pode contratar um no Tha Tien ou no Tha Chang Píer, qualquer taxista
conhece o caminho.Uma vez no píer, escolha uma das várias opções
de passeios e barcos; no meu caso, optei por um barco longo e rápido.
O passeio é feito pelos canais e riachos, em alguns momentos com um
pouquinho de emoção, mais velocidade, mas sempre muito seguro;
ao longo da viagem, em muitos pontos, vão se aproximar barcos com pessoas
vendendo de tudo, de chapéus e roupas a comidas (aves, ovos, etc.).
O final da viagem é no atracadouro do Wat Arun ou próximo do
Grand Palace, de acordo com sua escolha.
Não deixe de visitar os mercados flutuantes, entre eles o Damnoensaduak,
onde os preços são acessíveis e é possível
encontrar roupas de seda para crianças e adultos, gravatas, artesanato
e comidas típicas. Vá disposto a curtir e não ligue para
o amontoado de gente.
No roteiro dos aficionados em souvenir, não pode faltar uma visita
às muitas lojas que vendem máscaras típicas, algumas
feitas em papel machê.



Além
dos templos, há vários parques onde se pode ver a “luta
contra crocodilos”, cerimônias típicas de casamento, danças
ou fazer um inusitado passeio montado em elefantes! Um local deste tipo é
o “Rose Garden”, localizado em uma das saídas da cidade.
O legal lá é que você pode ver um pouco de tudo da Tailândia,
incluindo “Thai boxing”, a sensual e impressionante “danças
das longas unhas”. O preço é único, com direito
a todos os shows e eventos (só o passeio de elefante é pago
separadamente).
Isso
é apenas um pouquinho da Tailândia, afinal só falamos
de Bangkok. Seja como for, vale passar quase vinte e oito horas dentro de
um avião (a partir de São Paulo) para chegar lá. Não
se esqueça de levar muitos filmes para fotografar tudo!
*Ricardo
Giannini é executivo e viajou à Tailândia a negócios...adorou!
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DESARRUMANDO
AS MALAS
Tailândia
Texto
e fotos: Ricardo Giannini* |
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