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| FOLCLORE Praia da Sununga – Ubatuba/SP |
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| Mar
de muitos recortes, areia de múltiplos tons, abricoeiros e jundus
compõem a paisagens de um pedaço singular o Litoral Norte
de São Paulo. Ubatuba tem dezenas de praias e um sem número
de histórias, algumas verdadeiras, outras nem tanto. As lendas já
passaram de boca em boca na prosa diária dos caiçaras de antigamente,
hoje estão quase perdidas, mas resistem precariamente ao tempo e
ao progresso. Quem circula pelas ruas e praias de Ubatuba não imagina
que lugar é aquele, tampouco sabe dos seus mistérios. Para que as histórias de Ubatuba não se apaguem de vez, parcos esforços têm sido observados, sobretudo após o recente falecimento de Seu Filhinho, o mais antigo historiador local. Por isso lugaresdomundo.com conta uma das belas lendas que traduzem o espírito ubatubense. |
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Sununga
Lenda da Gruta que Chora
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Depois de ser flagrada pela mãe,
não restou alternativa a não ser contar a verdade. Foi com
perplexidade que a mulher ouviu palavra por palavra, tudo meio sem nexo,
sobre a história do dragão que morava na Toca da Sununga.
Todo mundo conhecia o caso na região e até mesmo evitava
passar por aquelas bandas. Os pescadores nem se atreviam a chegar perto
porque as ondas gigantes engoliam canoa, rede, tudo. As pessoas sabiam
que o tal monstro existia, mas só Seu Antero tinha visto. Era um
bicho horroroso, tinha metade do corpo de dragão e a outra metade
era roliça, como uma cobra, e se rastejava no chão.
Pois bem, desde que Seu Antero falou do dragão que vivia na gruta, Marcelina não parou de pensar nele, com um misto de medo e curiosidade. Contou à mãe que de tanto pensar no bicho, ele foi lá ter com ela, entrou no quarto no meio da madrugada. Vendo o assombro de Sinhá Anália, tentou acalmar a mãe, já idosa, dizendo que ele ficou encolhido, tão pequeno, que parecia não fazer mal a ninguém, até que virou um homem. A mulher não podia crer no que estava ouvindo, era loucura da sua filha, teria que chamar um doutor, aquilo de mostro virar homem não era certo, ainda mais dentro de sua própria casa. Depois falou que tinha passado a noite embalada nos braços daquele lindo moço de olhos claros. Mesmo depois de uma noite tão especial, a garota sentiu-se infeliz porque o moço partiu logo ao amanhecer, quando o galo cantou três vezes. Ela ficou no quarto chorando, sem disposição para nada, só pensava em esperar a noite chegar para receber a visita do amado. Agoniada, a mãe da jovem, só podia rezar para todos os santos que conhecia, até promessa fez. |
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Demorou muito tempo para aparecer um
velho pobre, andarilho, batendo à porta de Sinha Anália
em busca de um prato de comida. Ao entrar na casa, como faltasse assunto,
a mulher foi logo narrando o drama de sua filha. Ouviu calado, inexpressivo,
e ao fim do relato, disse já ter ouvido, bem longe dali, falar
do monstro que atormentava a população daquele bairro. Por
tal motivo ele estava lá, para expulsar aquela criatura do mal.
Era uma espécie de mago e sabia como fazer isto.
Logo o bairro todo estava sabendo da vinda do ancião e na manhã seguinte todos se acotovelavam em frente à Toca da Sununga. Já no local, o pobre monge ergueu os braços e fez o sinal da cruz, acompanhado de todos que estavam lá, fez uma prece ao Senhor e espargiu sobre a pedra que forma a toca um pouco da água que carregava consigo. Para espanto dos presentes, imediatamente um trovão violento fez estremecer a terra, e o mar se agitou violentamente, avançando sobre a praia, chegando a bater nas rochas. Depois as águas recuaram e o mar abriu-se ao meio, bem em frente à toca, por onde o mostro passou, horripilante, rugindo, para se esconder definitivamente nas profundezas do oceano. Ninguém mais até hora ouviu falar do dragão. Dizem que Marcelina viveu por muito tempo, acanhada e triste, porém bela como sempre fora!
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