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Imagens
escaneadas a partir de cromos no Laboratório Digital Tangran.

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o cursor sobre as imagens para ler as legendas.
O
que os milhares de turistas que circulam por Ubatuba, no Litoral Norte de
São Paulo, não sabem é que a cidade não se resume
a belas praias, ilhas maravilhosas e um pouco do que ainda resta da exuberante
Mata Atlântica. Além das belezas naturais, que não são
poucas, Ubatuba guarda um pedaço significativo da História do
Brasil, e existe um lugar para ser visitado que transpira um passado de prosperidade
e glória de uma cidade que já abrigou o porto mais importante
do país.
O Sobradão do Porto, atualmente sede da Fundação de Arte
e Cultura de Ubatuba – FUNDART, é o único casarão
colonial que restou dos áureos tempos do café na segunda metade
do século XIX em Ubatuba. Aberto à visitação,
oferece espaço para exposições de arte, artesanato, fotografia,
além de oficinas culturais, cursos e concursos que incentivam a produção
artística, o resgate e valorização da cultura caiçara
e suas tradições. Além das atividades da Fundação,
o prédio por si só já vale uma visita, pois em suas paredes
e janelas estão registradas passagens singulares do nosso passado.
O
Sobradão do Porto foi erguido por um rico comerciante, o fazendeiro
plantador de café e armador português Manoel Baltasar da Cunha
Fortes, em 1846, época em que Ubatuba representava o mais importante
corredor de escoamento das riquezas produzidas no Vale do Paraíba,
mais precisamente café, algodão, fumo e cana-de-açúcar.


O
imponente sobrado foi erguido nas proximidades do porto, naquela época
localizado na Prainha _ hoje conhecida como Prainha dos Matarazzo_com vista
para o Rio Grande e a Praia do Cruzeiro. Foi o primeiro prédio de Ubatuba
a ter três pavimentos, sendo último andar menor centralizado
na fachada, estilo bastante difundido no Brasil, de Belém até
o Rio, na primeira metade do século XIX. As paredes de alvenaria européia
(tijolo e pedra) alternada com a técnica brasileira da taipa de pilão
lembram uma versão litorânea da arquitetura urbana dos países
europeus da época. No andar térreo funcionava um entreposto
comercial e os pavimentos superiores serviam de moradia para a família
de Baltasar. Na construção, foram usadas vigas mestras, gradis
das varandas e portais de pedra provenientes de Portugal e as pinturas decorativas
nas paredes são todas de artistas franceses.

Com
a decadência econômica de Ubatuba, iniciada com a construção
das Ferrovias São Paulo Railway e a D. Pedro II, que praticamente relegaram
ao abandono a antiga estrada imperial da Serra do Mar e o porto de Ubatuba,
muitos casarões da elite local foram abandonados. Com o tempo, praticamente
todos ruíram ou foram demolidos, com exceção do Sobradão
do Porto, que em 1926 passou a abrigar o Hotel Budapest. Em 1934, foi vendido
à Cia. Taubaté Industrial, de propriedade de Félix Guisard,
e usado como casa de veraneio. Em 1959, o imóvel foi tombado pelo IPHAN
e em 1975 pelo CONDEPHAAT. Em 1981, o Sobradão foi desapropriado pela
prefeitura e somente em 1987 tornou-se sede da FUNDART. Dos grandes casarões
construídos para a elite ubatubana, apenas o Sobradão do Porto
ainda existe, porém pouco conservado.

No
andar térreo funciona um espaço adaptado para exposições
e oficinas culturais e no segundo andar, em meio às pinturas e janelas
originais (ou o que ainda resta delas), a administração. O terceiro
pavimento está interditado dadas as condições precárias.
A fachada do prédio está pintada, mas seu interior, especialmente
os andar superiores, merece uma restauração urgente (ao menos
uma limpeza) ... quem sabe quando os brasileiros realmente se interessarem
pelo seu rico patrimônio. Pudera o Sobradão do Porto ganhar uma
cuidadosa restauração e virar um museu ... por enquanto, ainda
que o local pouco desperte a atenção dos turistas mais apressados,
a agenda da Fundação é farta e há atividades tanto
para os moradores locais como para os visitantes da cidade. A programação
do mês é disponibilizada no site da entidade : www.fundart.com.br




Quando
visitar Ubatuba, dê uma passada no Sobradão do Porto. Praça
Anchieta, 38, Centro (próximo à ponte do Rio Grande, que leva
ao Mercado Municipal de Peixes).
Tel. (12) 3833-7000 e 3833-7001.

E
a índia que estava ali?
Além dos relatos oficiais que ajudam a compor a História, pequenas
observações podem acrescentar informações interessantes
sobre a cultura e o modo de vida nos séculos passados.Que o prédio
foi habitado por uma família de posses e bom gosto não é
de se duvidar, pois as pinturas nas paredes, as portas, janelas e os lustres
denunciam uma época de esplendor em um ambiente finamente colorido
e alegre. Na verdade, as pinturas estão se deteriorando, mas ainda
é possível perceber a aura de entusiasmo e respeito pela própria
história da cidade por parte dos antigos moradores. Um exemplo é
um quadro que retrata Padre Anchieta escrevendo o famoso Poema à Virgem
nas areias da Praia do Cruzeiro, durante da Confederação dos
Tamoio (séc. XVI); na obra, o jesuíta é observado por
alguns nativos. O curioso é que uma das índias está apagada
porque a última proprietária do sobradão não gostou
nada de ter uma pintura de nu frontal na parede de sua residência. Por
sorte, quem tentou omitir a figura não foi tão competente (por
falta de vocação ou de caso pensado?) e deixou sua sombra estampada
na beira do mar ... talvez a bela índia não quisesse mesmo sair
de lá!
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LUGARES
DO MUNDO
Sobradão
do Porto
Texto:
Danielle Giannini - Fotos: William Silveira |
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Equipe lugaresdomundo.com |
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