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Machu
Picchu estava na minha lista dos dez melhores lugares do mundo para visitar.
Já esperava ver um lugar maravilhoso, com belas ruínas e muitas
histórias. Quando cheguei ao Peru, descobri que a viagem seria bem
mais especial do que eu imaginava.
Texto
e fotos: Patrícia Bagdonas
Meu
roteiro começou em Cuzco, cidade colonial e capital do Império
Inca, declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco. Considerada
pelos incas o “umbigo do mundo”, foi construída numa região
de ruínas de templos e palácios da antiga civilização.
A cidade tem uma praça principal, a Praça de Armas, região
onde se encontra comércio, restaurantes, hotéis e outras construções,
além de outras tantas lojinhas e restaurantes. A cidade é movimentada,
talvez até porque a maioria das pessoas passa por lá antes de
ir para Machu Picchu ou para as ruínas próximas de Cuzco.
Próximo
à praça, fica localizado um templo muito importante, o Qoricancha,
que foi dedicado ao Deus Sol. O curioso é que o Convento de Santo Domingo
foi construído justamente em cima do templo, então hoje vemos
um mescla de convento e templo. Diziam que as paredes do templo eram revestidas
em ouro, mas os espanhóis levaram tudo embora.
Para conhecer bem a história de todos estes lugares,
o melhor é contratar um guia local, pois nas atrações
turísticas não existem explicações sobre as ruínas
e nada melhor do que ouvir um nativo contando com orgulho a história
de seu povo.
Tanto
na cidade como nas ruínas é possível apreciar o artesanato
peruano, e prepare-se: você vai querer comprar muita coisa, principalmente
pelo gosto de negociar e conseguir um ótimo preço pelas mercadorias.
Recebi até uma oferta para trocar o meu relógio por uma malha
de lã!
O
povo é muito simpático, mas esteja preparado: se você
quiser tirar uma foto com algum nativo, terá que desembolsar um troco,
afinal é disso que eles vivem...
Depois
que conheci Cuzco e arredores, segui para Machu Picchu. Há várias
maneiras de se chegar lá, todas partindo de Cuzco. A mais comum é
viajar de trem até Águas Calientes, um vilarejo ao pé
da montanha de Machu Picchu, e depois seguir a pé pelo Caminho do Inca.
Dá para escolher entre uma trilha longa (que dura uns 4 dias) ou fazer
a trilha curta (um dia de caminhada).
Escolhi a trilha curta, pois fiquei com receio de passar mal com o famoso
soroche (mal da altitude).

A
cidade de Águas Calientes tem uma boa estrutura turística (lembre-se
de que você está no interior do Peru, visitando ruínas!),
e há de tudo um pouco: feirinha de artesanato próxima do ponto
de ônibus para Machu Picchu, barraquinhas de artesanato encostadas no
trilho do trem (é muito curioso ver isso, parece que o trem vai passar
por cima de todos), restaurantes e lojas elegantes de prata. A atração
mais intrigante são as termas, espécie de piscinas com água
quente que emergem do chão de pedra. Por se tratar de água sulfurosa,
o cheio não é muito agradável, além da cor escura,
o que, para algumas pessoas, deixa a impressão deque a água
é imunda. “Reza a lenda” que esta água é
trocada sempre. Por prudência, lembre-se de levar um chinelo, pois os
vestiários não são muito limpos e não tem chuveiro,
o banho deve ser tomado lá fora, em umas duchas da água sulfurosa.

A viagem
de trem de Cuzco até o início da trilha curta dura cerca de
4:30 horas. Compre seu bilhete com antecedência, pois todo mundo prefere
o trem que sai às 6:30 h da manhã. Descemos do trem no Km 104
e começamos a trilha (é necessário comprar o bilhete
para entrar no parque e o mesmo é solicitado em outro ponto mais adiante.
A trilha é simplesmente maravilhosa, e conforme você vai subindo
a montanha, o trilho do trem desaparece. A trilha curta tem 12 Km ou um pouco
mais, e uma boa parte dela é aberta (sem vegetação para
proteger do calor e do sol), mas não se preocupe: existem pontos de
parada em lugares estratégicos, quando você pensa que não
consegue mais dar um passo, você vê o quiosque. Mas não
pense que é quiosque de praia, pois água mesmo só a que
tiver em seu cantil. No trecho da trilha em que a mata é um pouco mais
fechada, é possível ver uma rica fauna e se refrescar em uma
pequena cachoeira.

Em
vários lugares da trilha temos que subir degraus e passar por caminhos
estreitos, mas tudo isso compensa pelo visual das montanhas e pelas ruínas
que vemos pelo caminho, como a Winãy Wayna, que é um conjunto
de casas interligadas por degraus,com estruturas de fontes (cascatas), como
se fossem pequenas banheiras.
Um pouco depois das ruínas de Winãy Wayna, tem uma área
de apoio ao turista, com banheiros, lanchonete e lugar para acampar.


Depois
de andar o dia inteiro, finalmente chegamos ao Portão do Sol, de onde
se vê Machu Picchu bem de longe. Ainda a caminho das ruínas,
encontramos uma pedra onde até hoje são feitas oferendas, em
geral, de folhas de coca ou balas.
Machu
Picchu –“Pico Velho” ou “Montanha Velha” –
fica situada no município de Urubamba e é caracterizada por
um clima morno e úmido, com chuvas de novembro a março. A paisagem
é um espetáculo a parte de toda esta aventura: é inacreditável
como construíram esta cidade entre as montanhas e como existem histórias
interessantes sobre cada construção que restou. Antes de passear
pela cidade, vá até o mirante e contemple cada centímetro
da vista, você não se cansa de olhar. Repare nos picos nevados
e nos chamados bosques de nuvens, que fazem com que o visual fique melhor
ainda . A fauna e a flora são riquíssimas, sendo encontradas
mais de 170 espécies de orquídeas na região.



Andando
pela cidade encontramos várias referências ao conhecimento avançado
que os incas tinham sobre astronomia. A maioria das construções
aparenta ser residências, embora haja templos e outras edificações.
Pela porta principal da cidade só entravam os nobres. Não se
sabe ao certo o que era Machu Picchu – cidade ou santuário habitado
pelo clero e “Virgens do Sol” (mulheres escolhidas). A área
era dividida em setores agrícola e urbano. O setor agrícola
é constituído pelas plataformas que cercam a cidade concebido
com o objetivo de facilitar o cultivo e prevenir da erosão ocorrida
por causa das chuvas. No setor urbano está o que restou das edificações
que restaram da arquitetura inca, erguidas em grandes pedras trabalhadas.


Não
só Machu Picchu como as outras ruínas espalhadas pelo Peru têm
várias histórias, teorias e simbologias espetaculares, que não
dá para contar. você tem que ir e se deslumbrar com o que restou
de um passado de esplendor e mistérios, e que hoje é ainda reverenciado
por um povo sofrido que esbanja simplicidade e simpatia.
Patrícia
Bagdonas é analista de sistemas e programadora. Trabalha com consultoria
de informática e tem grande interesse em história, principalmente
medieval e arqueologia. Por isso escolheu conhecer o Peru e suas ruínas.
Geralmente faz as viagens por conta própria.
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DESARRUMANDO
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De
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