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DESARRUMANDO
AS MALAS
Um
pedaço da Índia |
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Helena Campiglia viajou pela Índia durante 3 meses e voltou maravilhada com os mistérios e encantos de um país exótico pela sua natureza, habitantes e arquitetura. Em seu relato, a médica destacou o Rajastão – Estado a noroeste da Índia - e Agra, localizada no Estado vizinho, Uttar Pradesh, para descrever suas impressões de um país onde passou dias singulares de sua vida. Texto e fotos: Helena Campiglia Posicione o cursor sobre as imagens para ler as legendas |
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As cores vibrantes do Rajastão me arrebatam mais uma vez. Ontem, num ônibus empoeirado e sacolejante, cheguei nesta província semidesértica e colorida. Num lance de sorte, um camelo ultrapassou nosso ônibus, mas este conseguiu driblar o beiçudo e tomou dianteira com uma saraivada de buzinas. Jaipur, capital do Rajastão, é conhecida como a cidade rosa, por suas casas e palácios de pedra rosa. É um centro de comércio de pedras preciosas, sapatos de Aladim (literalmente), saris coloridíssimos e todas as quinquilharias asiáticas possíveis e barganháveis.
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| Um
bom roteiro para quem quer conhecer o Rajastão inclui Jaipur, Udaipur,
Jaisalmer e um indispensável safari de camelo. Para mim, o ponto
mais marcante do Rajastão foi o deserto. Fiquei cerca de uma semana
observando os povos, a cultura e os hábitos alimentares nos vilarejos
escondidos nas imensas dunas de areia. É interessante como este
povo é a imagem do deserto: são calorosos, lentos, intensos,
pouco polidos e secos. Imaginem uma vida com o sol crestando a nossa alma,
dia após dia, mês após mês. Imaginem uma dieta
a base de chapati (pão de farinha e água), cebola crua e
às vezes chá. Imaginem dias que param sempre das 12:00 às
16:00, quando ninguém sai de suas casa de barro, pois o sol é
muito forte, e ficam todos ali, acocorados, olhando para si mesmos, escutando
suas cabras e ovelhas espirrando o pó que elas acabaram de pastar
e seus camelos fazendo sons guturais. No fim do dia, o sol mais ameno
nos permite circular pela região; as mulheres buscam água,
os homens trazem suas ovelhas, os caçadores saem em busca de antílopes
até que o sol, num laranja gritante, se ponha no horizonte, permitindo
que as estrelas encham o céu por completo. O deserto me fascina
profundamente, é quase um retorno às nossas origens primitivas,
no tempo das cavernas, quando a preocupação do homem era
sobreviver. Para chegar ao deserto, a melhor maneira é ir de trem até Jaisalmer e lá contratar um dos inúmeros Camel Safari, que saem diariamente para o Deserto de Thar e podem demorar de três dias até uma semana, dependendo do destino. A agência de safaris mais conhecida fica nos portões da cidade velha de Jaisalmer. Os tours, em geral, incluem comida, barracas, guia e camelos (vale a pena checar se é um camelo por pessoa). |
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Outra cidade
interessante que pode ser incluída no roteiro é Udaipur,
onde encontramos um palácio construído no meio de um lago.
O local é extremamente romântico, e os indianos apelidaram
Udaipur de Veneza Indiana, apesar de estar bem longe disso. Já a cidade de Agra, no Estado de Uttar Pradesh, localizada mais ao norte, foi a capital do Império na época do imperador Shah Jahan e tem como vedete principal o Taj Mahal. As imagens do mausoléu revelam sua natureza simétrica, perfeita, imortal. É quase impossível ter a dimensão de seu tamanho, seu porte e sua beleza. O Taj Mahal merece a fama que tem. Foi construído pelo imperador muçulmano Shah Jahan, no século 17, para servir de túmulo para sua esposa preferida, Arjunam Banu, que morreu ainda jovem durante o parto do seu décimo quarto filho. A obra foi caríssima e levou 22 anos para ser completada. É um monumento construído em mármore branco, com detalhes esculpidos em mármore colorido e pedras semipreciosas. |
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Dizem que
o imperador queria construir outro mausoléu, com arquitetura idêntica
ao Taj Mahal, em mármore preto, onde ele seria enterrado, perto
da esposa. Porém foi destituído do governo por um de seus
filhos e não pôde realizar o projeto grandioso, ficando encarcerado
em um palácio que tem uma das mais belas vistas do Taj Mahal. Curiosamente,
após sua morte, Shah Jahan foi enterrado junto a sua esposa, quebrando
a simetria de formas do mausoléu, pois sua tumba ficou foi colocada
fora de centro, por não ter sido prevista no projeto original.
O Taj Mahal é aberto à visitação pública
diariamente. Ainda em Agra é possível fazer outros passeios,
como a visita ao mausoléu construído para o resto da família
real, localizado a cerca de alguns quilômetros do perímetro
da cidade. |
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Outra
opção é visitar Fatehpur Sikri, uma cidade com aproximadamente
500 anos, abandonada por falta de água e que permanece em ótimo
estado de conservação. Fatehpur Sikri foi construída
em homenagem a um homem santo que após abençoar o imperador
mongol Akbar e sua esposa, fez com que fossem agraciados com três
filhos. Muitas mulheres e casais que não podem ter filhos visitam
o local e pedem o milagre. Há muito mais para se ver na Índia, lugares fascinantes, inesquecíveis. Para quem deseja conhecer de perto o país, há hotéis de padrão internacional, do grupo Taj, espalhados por toda a Índia, que oferecem serviço de qualidade e restaurantes confiáveis. Hotéis mais simples são listados no "The Lonely Planet Guide Book”. A culinária indiana é forte e marcante, com excesso de sabores picantes e aromas exóticos. O próprio continente indiano é picante e exótico e as marcas deixadas por uma visita a Índia são memórias que afetam os cinco sentidos. |
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