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Entre
a câmera e a cena
Texto e fotos: William Silveira
Para
quem gosta de circular pelos lugares do mundo, é obrigatório
registrar uma bela paisagem ou momentos da vida das pessoas que encontra.
Com isso, fica mais fácil contar para todos como foi a viagem quando
só palavras não bastam. Fazer fotografia, muitas, de todos os
lugares, sob vários ângulos, chega a ser instintivo nos turistas
de todas as viagens, mas não basta mirar a câmera e apertar o
disparador, antes de tudo, deve-se ater à postura exigida em cada lugar,
em cada situação. Mesmo o viajante mais desatento deve seguir
uma etiqueta que passa pelo respeito a culturas, tradições,
religiões, etc. etc.
Sempre
que conhecemos lugares novos, com cultura e personagens interessantes, não
nos damos conta de que para o fotografado, muitas vezes, nosso simples ato
de fotografar significa invasão de privacidade. Incômodo inimaginável
e motivo de irritação e até de um "contra-ataque"
mais violento.
Devemos
lembrar que existem duas formas de se fotografar pessoas em nossas viagens.
Ou nos colocamos como um caçador com a câmera apontada para os
personagens e mantemos uma distância física e pessoal, ou nos
envolvemos na comunidade, conversando com seus personagens e conhecendo seus
problemas, alegrias e esperanças. Mas sempre devemos ser aceitos pelas
pessoas.
Por
experiência própria, sacar a câmera e sair disparando é
a pior maneira de travar um contato amigável e até de ter como
resultado boas fotos, aliás, devemos começar pensando que não
estamos num zoológico. As pessoas que estão naquele lugar são
como nós, ou você gostaria que um desconhecido apontasse uma
câmera em sua direção e sem perguntar: clic ! É
bom que sejamos autorizados pelo fotografado.

Não
existe uma fórmula que ensine como devemos abordar as pessoas, pois
cada caso requer uma solução diferente. O maior desafio é
quando não temos tanto tempo para travar contato e conhecer as pessoas
que desejamos fotografar. Neste caso, o simples fato de apontar a câmera
e receber um sorriso é mais que uma autorização. Um sinal
de positivo, uma pose e, em alguns casos, o pedido de algum "dinheiro
local" também fazem parte das formas de se receber uma autorização.
Às vezes, em certos lugares, precisamos conversar com um líder,
pode ser o chefe de uma comunidade ou a pessoa que toma partido e fala por
todos. Se ele aceitar que você fotografe, todo o grupo aceitará.


Conversando
ou apenas recebendo sinais que autorizam a foto, devemos lembrar que o respeito
que devemos ao fotografado está acima de tudo, seja nas fotos das férias
de verão, seja na reportagem jornalística. Sem o consentimento
do fotografado, esqueça a câmera e caminhe mais um pouco, quem
sabe a sorte não melhora. Isso é válido também
quando achamos que não podemos deixar de clicar situações
inusitadas para nós e invadimos o terreno da cultura ou da religião.
Hábitos de um país ou a menor comunidade que seja devem ser
colocados em primeiro plano, ou seja, rituais, vestimentas, forma de andar
nas ruas ou o que quer que seja não podem ser encarados como bizarrices.
Situações sérias exigem um postura séria. Situações
descontraídas permitem um comportamento mais solto, embora não
menos respeitoso. Quem dá o tom são as pessoas e os lugares.
Estes cuidados beneficiam diretamente o resultado final de seu trabalho e
enriquecem a história e nossa visão sobre as pessoas e os lugares
do mundo por onde passamos.


Todo
este cuidado e respeito não se aplicam somente às pessoas. Quando
viajamos e queremos registrar imagens de belos lugares, temos que contribuir
para que continuem sendo belos. Valem as conhecidas regras de respeito, que
ditam que não se deve jogar a caixinha do filme e as pilhas usadas
no chão. Não é educado deixar rastros de comida por onde
passa, não é certo retirar de seus respectivos ambientes animais,
plantas e pedras para guardar de recordação, ou pior, para compor
melhor as fotos, sem esquecer que fumar em certos locais, especialmente nas
matas é perigosíssimo! Devemos nos integrar ao ambiente, não
descaracterizá-lo. São lembretes que valem para a trilha na
montanha, para o passeio em uma metrópole ou qualquer lugar do mundo
que seja. O resto é com vocês. Boas fotos!



Certa
vez, saí para uma caminhada em Itajaí/SC e encontrei um pequeno
cais com pescadores e barcos pequenos. Aproximei-me e comecei a fotografar
os barcos, caminhei entre as redes e caixas, sempre observado pelo grupo
que não parou de conversar sobre a dificuldade de pescar hoje em
dia. No momento oportuno, entrei na conversa e depois de alguns minutos
estavam todos devidamente fotografados e satisfeitos. Conclusão:
tive boas imagens e ainda passei mais umas horas, sob chuva e frio, batendo
papo e ouvindo histórias do mar.
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