QUESTÃO
DE SORTE
Texto e fotos: Danielle Giannini
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| Que
equipamento, que nada. Uma foto depende, antes de tudo, de uma
boa dose de sorte. Em certas situações, lentes,
filtros, filmes e tripé nos deixam literalmente na mão.
Imagine aquela viagem na qual você planeja fazer muitas
fotos, certo de que vai encontrar um lugar maravilhoso (porque
você já viu fotos de alguém que teve mais
sorte que você) e, ao desembarcar lá, está
tudo nublado, branco mesmo, de não se enxergar nada.
Quando chegamos ao nosso destino com o pé esquerdo, não
adianta revisar todas as técnicas nem sentar e chorar.
A saída é esperar São Pedro se acalmar de
trazer bom tempo.
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No
último mês de julho, mais precisamente na única
semana de frio em todo o país, seguimos para a Chapada
dos Guimarães, no Mato Grosso. Depois dos dias lindos que
passamos no Pantanal, eu e meu assistente e sobrinho, Thiago Visconti,
estávamos ansiosos para conhecer os tão falados
cânions da Chapada e suas abundantes cachoeiras. No dia
da viagem, o céu amanheceu nublado em Cuiabá e lá
fomos nós com nosso guia Cácio Pantaneiro rumo à
Chapada. Tão logo deixamos a capital do Mato Grosso para
trás, uma forte neblina surgiu do nada e a paisagem ficou
branca, opaca, densa, gelada!!! Como não desse mais para
enxergar as curvas na serra, Cácio dirigia muito devagar,
com um cuidado imenso de nos informar que do lado esquerdo havia
uma formação rochosa com aparência de não
sei o quê, do lado direito, uma vegetação
verdejante ... e tudo estava assustadoramente branco. Ainda tranqüilos,
pois somos acostumados a pegar muita serração no
caminho para o litoral Norte, em SP, eu e Thiago estávamos
certos de que tão logo chegássemos à cidade
da Chapada, tudo ficaria claro – é sempre assim quando
chegamos na praia! |
Que
nada, o desespero bateu quando percebemos que a Chapada dos
Guimarães estava literalmente no céu, no céu
mais branco que já vi em toda minha vida, e o termômetro
da rua indicava cinco míseros graus, no Mato Grosso!!!
Chegamos para o almoço em um restaurante que dispõe
de uma vista maravilhosa para o parque da Chapada, pelo menos
é o que dizem, pois não vimos absolutamente nada.
Depois de instalados na pousada, que sem preparo algum para
os raros dias frios, não tinha cortina na porta da varanda
que dava para um vale imenso (também não pudemos
checar isso), fazia com que um frio úmido e inclemente
entrasse pelas frestas, sem falar na unidade enervante que escorria
pelas paredes.
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Ainda
restava uma esperança, pois tínhamos mais três
dias antes de retornamos a São Paulo, era uma questão
de tempo. E o tempo foi passando e tudo branco. Meu assistente
e sobrinho, bem mais corajoso do que eu, pegou uma câmera
e saiu para captar algumas imagens. Voltou às gargalhadas:
“Tia Dani, descobri que tem uma árvore e um carro
parado bem aqui na frente do chalé ... ah, e o foco automático
está doidão, a lente vai e volta”. Não
sei se meu sangue ferveu por ele estar se divertindo ou por
eu não conseguir enxergar a tal árvore da frente
do chalé. Fato é que o foco automático
estava doidão e eu também. Pudera, o que íamos
focalizar naquele tempo, tudo estava b r a n c o. Passamos o
resto do dia secando a câmera com foco doido, debaixo
de todos os cobertores disponíveis e sequer saímos
para o jantar. No dia seguinte, o céu estaria claro e
sairíamos finalmente para fotografar ... se São
Pedro ajudasse. Já tínhamos a notícia de
que o país inteiro estava vivendo dias de rigoroso inverno,
mas justo naquela viagem!!! Depois de uma noite incômoda,
amanheceu tudo branco e gelado, os turistas hospedados na mesma
pousada bateram em retirada e só nos restou fazer o mesmo
... para preservar os nervos. Não havia qualquer previsão
de melhora, o jeito era voltar para casa. Só conseguimos
“conhecer” a Chapada dos Guimarães porque
nossos amigos em Cuiabá, Andréa e Alerrandro Farias,
ficaram sensibilizados com nossa peripécia e nos levaram
para almoçar lá no domingo antes de embarcarmos
para São Paulo. Voltamos com as malas cheias de técnicas,
macetes, idéias e filmes novinhos em folha!!!
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| São
Paulo, Feliz Aniversário! SESC
Santo Amaro convoca fotógrafos interessados em participar
da Mostra Os Cantos da Cidade, que acontece em janeiro de 2004
para comemorar os 450 anos de São Paulo. O período
de entrega do material vai de 16 de setembro a 15 de novembro.Para
participar da mostra não é necessário ser
morador da cidade. Basta enviar uma foto de São Paulo nos
tamanhos 24 x 30 cm, 18 x 24 cm ou 10 x 15 cm, colorida ou PB.
A exposição acontece no período de 20 de
janeiro a 14 de fevereiro de 2004.
Além da foto, os participantes devem preencher e enviar
a ficha de inscrição disponibilizada no site do
SESC até o dia 15 de novembro.
Inscrições no SESC Santo Amaro - rua Amador Bueno,
505 - Tel.: 11 5525-1855
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