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Seguindo um ritual que se repete invariavelmente todos os final de semana, acordamos cedo numa bela manhã de domingo e decidimos visitar o Embu, eu, o William – fotógrafo do site Lugaresdomundo.com – e centenas de pessoas. Fomos todos em busca de um dia agradável e voltamos para casa satisfeitos.
Partimos com uma missão: encontrar crocheteiras de mão cheia para uma revista especializada em trabalhos manuais, e quando percebemos, estávamos carregando sacolas com tapete, manta para sofá, azulejos pintados a mão, marionetes para as crianças e outras coisinhas mais. É assim com todo mundo que vai lá, não dá para resistir aos apelos criativos e supercoloridos de um lugar conhecido por um variado artesanato, movelaria, antiquários e comidinhas gostosas.
Se você quiser ir ao Embu das Artes no domingo, saia cedo de casa, pois a cidade fica lotada e encontrar vaga em um dos muitos estacionamentos nos arredores do centro pode ser complicado no final da manhã. Como é dia da já tradicional feira de artesanato, as ruas centrais são fechadas ao tráfego, portanto encoste o carro e ande a pé, parando de loja em loja, barraca em barraca, até cansar! Vale a pena, sempre dá para encontrar algo interessante. Sim, pois coisas e pessoas diferentes é o que não falta por lá.
Logo na entrada da cidade, ficam as lojas das fábricas de móveis rústicos, uma ao lado da outra. Chama a atenção o colorido arregalado dos pufes espalhados pelas calçadas, uns nas portas das lojas, outros empilhados sobre algum carro. Se você gosta de artesanato em madeira, o lugar é um prato cheio. Mas não se empolgue porque tem ainda muito mais pela frente. Siga até o centro e se prepare para mais artesanato. Estávamos dispostos a entrar em todas as lojas de badulaques, antiquários e galerias, mais pelo prazer de conhecer aquelas casas antigas do que pela disposição de gastar dinheiro! Encontramos de tudo.
Paramos em uma loja de roupas para casa feitas em tear manual que esbanjava um colorido de alegrar os olhos; não resistimos também a uma enorme loja que vendia todos os tipos de pedras brasileiras e tudo o que se pode imaginar feito com elas; pesquisamos preços de móveis antigos nos antiquários e descobrimos que uma mesma mesinha redonda com três cadeirinhas lindas estavam sendo vendidas a preços bem diferentes, o que só reforça a teoria de que empolgação pode ser sinônimo de maus negócios, o prazeroso mesmo é procurar os valores mais em conta, não só pela compra em si, mas pelo bate-papo com os comerciantes.
O pessoal das barracas também tem novidades legais, como o Robinson, que pinta azulejos artesanais. Naquele dia, ele estava expondo azulejos, canecas, pratos e outros objetos com ninguém menos do que a personagem Mafalda, de Quino, estampada. O artesão trabalha há cinco anos com cerâmica e faz pinturas de santos para igrejas, projetos especiais para decoração de casas, fachadas e o que mais o cliente imaginar.
Enquanto caminhávamos, fomos várias vezes surpreendidos pelos senhores músicos que tocam nos bancos, sentados, sem incomodar ninguém, esperando que algum ouvinte mais generoso recompense a boa música com algum trocado. Não faça de conta de não viu o chapéu no chão, coloque a quantia que puder ou quando achar que vale o show e aproveite para conversar com eles, são ótimos contadores de causos, muito alegres e adoram uma boa prosa.
Depois de tudo isso, se você estiver com fome, dê uma passada na Vila das Lavadeiras, uma passagem bonitinha, com lamparinas, degraus de pedra e casinhas coloridas, todas enfeitadas. Ali fica o Café São Pedro, onde é servido um delicioso suco de uva e quiches quentinhos. Para quem aprecia, há uma variedade de charutos cubanos à venda, além de massas, vinhos e outros produtos. Se a fome for grande, sirva-se no restaurante do mesmo dono que fica em frente. Não tem problema de você gostar muito da decoração do café ou do restaurante, tudo pode ser comprado e levado na hora.
Existem em Embu das Artes outros restaurantes e lojas, basta experimentar. O lugar é agradável e rende um bom passeio no final de semana. Com a chegada do Natal, pode ser uma alternativa para encontrar presentes diferentes. Boa viagem!
· O Robinson, dos azulejos, atende pelos telefones 4683-9447 e 9836-1295.

O acesso a Embú das Artes é feito pela Rodovia Régis Bittencourt (BR116) e fica a aproximadamente 28 km de São Paulo.
DIÁRIO DE BORDO   Embu das Artes    

 Texto: Danielle Giannini - Fotos: William Silveira
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