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Para
quem está em Vila Velha ou Vitória, é impossível
não ver, no alto de um morro de 154 metros, uma das mais belas obras
de arquitetura do Brasil colonial e um dos principais monumentos religiosos
do estado: o Convento de Nossa Senhora da Penha.
Sua
construção teve início em 1558, quando o Frei Francisco
Pedro Palácio, vindo de Portugal, chegou em Vila Velha trazendo um
painel da santa, que ficava guardado na gruta onde morava. A gruta fica justamente
onde foi construída a capela, mas atualmente não pode ser visitada
pelos turistas. A edificação da “ermida das palmeiras”
foi erguida por volta de 1560.


Depois
da morte de Frei Pedro Palácios em 1570, a ermida de Nossa Senhora
da Penha ficou em situação precária até o ano
de 1591, quando as autoridades de Vila Velha e Vitória decidiram entregar
a Capela da Penha aos Franciscanos.
Em 1649, começaram a pensar seriamente na construção
de um conventinho junto à capela, obra que seria iniciada em 1651,
mesmo ano da primeira modificação da capela construída
pelo frei Pedro Palácios. O conventinho ficou pronto em 1660.
Desde então, o convento já passou por
inúmeras reformas, principalmente devido à ação
do vento e do sal e é mantido em boas condições.
Caminhando
pelas dependências do convento, é possível encontrar inúmeras
obras como a imagem da Penha, “Padroeira do Espírito Santo”,
que chegou em 1570 encomendada pelo Frei. Lá podem ser vistos ainda
a imagem de São Francisco e o painel de Nossa Senhora dos Prazeres,
este último trazido por Pedro Palácios. Esse painel é
a pintura a óleo, de autor desconhecido, tida como a mais antiga existente
no Brasil.
Além disso, pode-se visitar o Museu do Convento de Nossa Senhora da
Penha, que possui objetos, vestimentas e demais artefatos utilizados pelos
primeiros frades; a sala dos milagres fica aberta ao público e são
inúmeros os agradecimentos em forma de placas de mármore e bronze,
fotos, cartas, próteses, entre outros objetos depositados no local,
que traduzem toda a fé do povo brasileiro.

Além
do lado religioso presente nas obras e nas dezenas de pessoas que oram de
joelhos diante do altar, o convento tem uma vista belíssima. De um
lado está a cidade de Vila Velha, do outro, Vitória e a Ponte
3, que interliga as duas cidades. Ao fundo, o Atlântico calmo, azul
e uma distante linha que separa o céu do mar.
O
convento também guarda inúmeras lendas: nos anos de 1625 e 1643,
os holandeses atacaram a Capitania de Espírito Santo e nas duas investidas,
os portugueses saíram vencedores. Mas no primeiro ataque houve uma
ajuda enviada dos céus! Os holandeses desembarcados em Vila Velha preparavam-se
para atacar a cidade quando, diante de seus olhos, o santuário no alto
do morro misteriosamente tomou a aparência de um castelo, cercado de
fortes muralhas e defendido por um esquadrão de soldados. Aos olhos
dos invasores, do monte, os soldados desciam a pé e a cavalo, todos
fortemente armados.
Entretanto, este exército jamais existiu; na verdade, não havia
mais pessoa alguma no morro e a própria imagem havia sido previamente
removida para o Convento de São Francisco de Vitória. O curioso
é que, diante daqueles soldados, aterrorizados, os holandeses fugiram
desordenadamente e recolheram-se às suas naus. A única batalha
que aconteceu ali foi o ataque a cerca de quarenta holandeses, mortos por
um pequeno grupo de moradores do local.
Realmente, o Convento de Nossa Senhora da Penha é um dos lugares do
mundo que merece uma visita, seja pela bela história, pela fé
ou pela bela vista.
Reprodução
de cartão postal. Foto de Romero G. Garcia
Imagens
escaneadas a partir de cromos no Laboratório Digital Tangran.

Reprodução
de cartão postal
Posicione
o cursor sobre as imagens para ler as legendas.
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Convento
da Penha. História, fé e beleza.
Texto
e fotos: William Silveira |
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